segunda-feira, 3 de julho de 2017

Os prémios da Liga de Elite

(Republicado, depois da confirmação de que os clubes podem nomear os seus jogadores para esta votação, bem como jogadores de outras equipas.)


Caiu o pano sobre a Liga de Elite 2017 e não há grandes motivos para acreditar que o caminho é de progresso.

O Benfica renovou o título, já lá vão quatro anos seguidos, e continua a ser a equipa que mais investe, colhendo assim os frutos de ter um plantel bem recheado de "estrangeiros locais" que tem feito a diferença.

No pódio deste campeonato ficam os outros dois investidores: Monte Carlo e Chao Pak Kei, que andaram na cola dos encarnados até ao fim, merecidamente. 

No meio deste campeonato que tantas vezes é sofrível, gostava de sublinhar uma coisa: o Monte Carlo já com longa tradição e agora o CPK, estão a disputar os campeonatos das camadas mais jovens e esse é um exemplo que o Benfica, a meu ver, tem obrigação de seguir. 

Mas bom, já não bastava o desinvestimento de Ka I e Sporting, veio a saga da inscrição na AFC (uma das maiores vergonhas de que me lembro no futebol, que acabou sem consequências ou responsáveis), a liga deste ano teve cenas de pancadaria que acabaram, a meu ver, mal decididas, jogadores expulsos que jogaram no jogo seguinte, e até mesmo perda de pontos na secretaria.

Para finalizar, a anedota do ano, que é como quem diz, a eleição para os melhores jogadores deste campeonato.

E é neste particular que insisto desde sempre: os clubes têm a liga e a Associação de Futebol que merecem.

Segundo informação da AFM, os clubes indicam vários nomes para fazerem parte da lista que vai a votação. Ou seja, não é a Associação que escolhe, são os clubes!

Ora não é espantoso que, por exemplo, o Sporting não tenha nenhum jogador na lista? Quando, a meu ver, o Tony Lopes é, sem margem para dúvidas, uma das revelações do ano e, com certeza, até merecia o prémio de melhor jogador sub-23? 
Do lado dos mais novos, também o CPK se "esqueceu" de Vinicius Akio, quando o Kei Lun, só para dar um exemplo, não se esqueceu de Josecler Filho, miúdo de 16 anos que nem entrou assim em tantos jogos. 

Mas há mais esquecimentos e alguns, a roçar o inacreditável: Marco Meireles, talvez, um dos melhores da época, ficou esquecido pelo Benfica, ou mesmo Bernardo Marques que jogou mais e melhor do que Filipe Duarte e do capitão, lá está, não se esqueceu e está na lista; no CPK, Bruno Figueiredo ficou de fora, mas Vitor Almeida, que esteve bem longe do que se viu no ano passado, faz parte das indicações, que não esqueceu ainda Domingos, o veterano guarda-redes ou Pedro Lopes que, não tendo prestações más, está longe de ter a importância do brasileiro na equipa; o Monte Carlo tem lá Paulo Cheang, que, bom, quem viu o que andou a fazer durante a época, sabe que foi tudo menos uma temporada para lembrar. 
Enfim... 

E agora? Será que é só a Associação que não tem uma postura séria e profissional, e que deixa a desejar na forma como conduz o futebol local?

Podem todos dizer que estes prémios não valem grande coisa, eu também digo que mereciam ser algo mais digno para os agentes do futebol, mas são os prémios que temos e é deste modo que os clubes prestigiam os seus atletas. 

São opiniões, claro está. Na minha, nestes casos que citei, alguns clubes não souberam prestigiar quem merecia. 

Quero só ver quem vai ser o jogador do ano...



Venha a Liga de Elite 2018... 

domingo, 28 de maio de 2017

Não há dois jogos iguais




Em jogo estavam muito mais do que os três pontos ou a oportunidade última para o Monte Carlo se chegar à luta pelo primeiro lugar.

Em jogo estava, nem mais, nem menos, do que a obrigação dos canarinhos fazerem esquecer aquela meia dúzia de golos da primeira volta que ninguém esperava.

E foi isso que aconteceu.

Primeiras notas: no Monte Carlo, conjunto bem mais estendido no campo (a comparar com jogo da primeira volta), sem deixar os da frente solitários e outro aspecto positivo, sem andar a inventar com trocas de bola muito atrás.

Aliás, os homens do jogo do lado dos amarelos foram sem dúvida Ho Man Fai e Keverson.
O guarda-redes porque há muito que não o víamos tão certinho nas suas funções, e o camisa 10 porque foi o maior perigo do Monte Carlo lá na frente e tem nos pés a decisão de fazer aquele remate espectacular para o 2-0.

No Benfica, talvez daquelas noites em que nada saiu bem a muitos dos elementos dos encarnados. Leonel, Chan Man ou Pang Chi Hang, pouco decisivos na hora em que era mais necessário. Filipe Duarte de volta à equipa, presença importante a do capitão, mas a ausência pesou no ritmo.

O melhor do conjunto foi mesmo o outro central, Bernardo, a defender e a atacar, teve na cabeça o empate aos 86 minutos, mas não mancha a boa exibição.


O primeiro golo é uma benesse incrível do Benfica: jamais Neto pode saltar sozinho e o brasileiro tem os seus créditos mais que firmados nas funções de goleador.

Os encarnados não podiam imaginar pior começo de jogo, desvantagem aos dois minutos, logo esta equipa que, não estando habituada a perder, tem tendência a frustrar-se demasiado quando não lhe corre de feição.

Ainda assim, a reacção não foi má. O Benfica conseguiu dominar os nervos e chegou até a massacrar a área contrária, mas a finalização esteve muito longe daquilo que se deve pedir. Não chegou sequer a ser um ataque perdulário, já que quase sempre a bola foi demasiado adiantada ou à figura do guarda-redes, sem criar, verdadeiramente, chances de perigo.

Depois veio o 2-0, com muito mérito para Keverson que decide rematar e, de forma espectacular, faz vergar o Benfica à passagem da meia hora.

Até ao intervalo continuou pouco esclarecido o ataque do Benfica, em especial Leonel Fernandes, ele que exibe o título de goleador do campeonato, e valeu Batista, aos 40, a negar o golo a Chong Wai Kin que aparece na cara do guardião.

Veio o intervalo e com Cuco amarelado, adivinhava-se substituição na equipa de Henrique Nunes. O médio saiu aos 59 minutos para entrar Alison Brito. Era o Benfica à procura de melhorar no último terço do campo, mas  Ho Man Fai estava em noite sim.

Pang Chi Hang, Chan Man, Leonel e até Edgar Teixeira, todos tiveram pela frente a oposição do guardião canarinho, que, tirando um lance já a caminhar para o final da partida, se absteve de inventar lá atrás e, diga-se, saiu-se bem melhor do que o temos visto esta época.

O 2-1 já chegou tarde para o Benfica...


O Monte Carlo, depois de dois tropeções (derrota com CPK e empate com Kei Lun) vê nesta vitória a possibilidade de continuar na luta pelo título, já que sairá beneficiado em caso de empate entre os outros candidatos, Benfica e Chao Pak Kei. Mas acima de tudo, soube ser eficiente e encarar o jogo para conseguir derrotar o adversário.

Já os encarnados, não perdiam para o campeonato desde a época de 2015, sendo esta, também, a primeira derrota na liga para o treinador Henrique Nunes.

Benfica e CPK só dependem de si, também, por isso vai ser muito aguardado o embate marcado para 17 de Junho.




segunda-feira, 8 de maio de 2017

Relançada luta pelo título


Era o jogo grande da jornada e, na verdade, valeu pelo resultado que relançou o interesse a três pela discussão do título.

Uma partida que, na verdade, não foi de um futebol espectacular e até esteve bem dividida em termos de performance. A primeira parte teve maior ascendente do CPK, enquanto a segunda foi do Monte Carlo, mas já com prejuízo no marcador.

O CPK tem uma vantagem: melhores locais. Ontem foi exemplo disso, com boas exibições de Ho Ka Seng ou do guarda redes Lo Weng Hou a assinar uma boa exibição que deixou segura a vantagem alcançada à meia hora, para referir dois.

A grande lacuna desta equipa é, sem dúvida, o ataque, com falta de uma referência lá na frente que se assuma como verdadeiro ponta-de-lança. Valeu, como sempre, Diego Patriota que regressou às boas prestações depois de um jogo menos conseguido frente ao Ka I.

A estratégia até não foi aquela que, a meu ver, poderia ser a mais acertada, mas uma coisa é certa, Ronald no eixo central da defesa cumpriu, e bem, o papel, e, parece, é onde se sente confortável a jogar.

Vitor Almeida jogou numa posição dianteira ao eixo defensivo, foi o autor do golo nas suas já habituais incursões ofensivas, mas em 13 jornadas já disputadas anda longe do que mostrou na temporada anterior.

Foi no entanto determinante e esteve muito bem no lance do golo, à meia hora de jogo, depois de um excelente trabalho de Diego.

Do lado do Monte Carlo, vale pelos estrangeiros, que ontem não tiveram a competência para marcar, ainda que não se possam queixar de oportunidades.

A defesa é um grande 'handicap' neste conjunto. Paulo Cheang e Geofredo não têm frescura física e as trocas de bola promovidas por Ho Man Fai lá atrás são um verdadeiro filme de terror que se tem visto em várias jogos. Ontem, nem foi dos piores casos.

Opiniões divergem, mas Wilson Sadan até estava a ser o melhor estrangeiro do lote deste ano, Leandro cumpre, Neto é uma certeza no ataque canarinho e Keverson vai mostrando qualidade, mesmo que ontem não tenham sido decisivos, mas antes perdulários.


Na segunda parte, o Monte Carlo podia ter chegado ao golo e pelo que fez, até merecia. Não que a vitória do Chao Pak Kei não se aceite, e lembre-se aquele lance no final quando Vitor Almeida podia ter matado o jogo.

Os três pontos do Chao Pak Kei dão novo alento ao campeonato e pressionam o Benfica que até nem anda pelos ajustes com as exibições.

Para ganhar aos sub-23 foi preciso chegar a segunda parte e Leonel Fernandes ter cabeça para isso. Mais quatro golos que fazem dele o melhor marcador do campeonato, encaminhado para renovar esse título da época anterior.

Mas se não há dúvidas sobre a qualidade do plantel, até acima de qualquer outro, esta segunda volta não está a correr de feição.

A exibição contra a Polícia não foi conseguida, voltou a empatar com o Ching Fung e os sub-23 demoraram a ser vergados. Verdade seja dita que os encarnados tinham muitas ausências para esta partida, e é notória a diferença de qualidade para os habituais titulares. Filipe Duarte faz sempre falta, Edgar Teixeira e Marco Meireles se não se exibirem a um bom nível isso reflecte de imediato na produção da equipa, mas eu diria que Chan Man também faz muita falta a este Benfica.

Será por isso interessante ver como se vai desenrolar esta luta pelo primeiro lugar.
O Chao Pak Kei só tem a desvantagem de perder no confronto directo com o Monte Carlo, mas quase que os três dependem apenas deles próprios e isso é positivo para a Liga de Elite.

(Foto: Bessa Almeida, Macau Bolinha e Bolão)





domingo, 9 de abril de 2017

9-0? Vamos lá acabar com isto...



Um resultado de 9-0 será o suficiente para explicar um jogo no qual o guarda-redes do Benfica, tocou pouco mais que três vezes na bola.

Para quem quer o bem do futebol de Macau, resultados como este e, mais do que os números, o que se viu dentro das quatro linhas, não pode agradar.

É o espelho da Liga de Elite que temos.

Pior: um jogo que teve inúmeras interrupções, termina sem tempo de descontos. A decisão do árbitro Grant parece absurda! O que justifica? O resultado?
Questões que os juízes deviam ser obrigados a explicar.


Quanto ao jogo, conta-se pelos golos.


O líder Benfica até entrou com alterações no onze: Amâncio no lugar do habitual titular Chi Kin, Vinicius de início em vez de Nicholas Torrão (ausente) e Alison Brito a render Leonel.

Os encarnados começaram o desafio com uma boa oportunidade por Alison Brito, que se isola em velocidade, mas acaba por não rematar e atrasar para Edgar que remata ao lado.

Aos 7 minutos, outra vez, com um remate de cabeça de Alison Brito, mas o golo tardou.

Seguiu-se um período de menos pressão do Benfica e a falhar alguns passes no meio do terreno, mas o golo acabou por sair, como aliás, sempre acontece com este conjunto. Esta equipa vai produzindo o seu futebol e os golos surgem. Tem sido assim desde início do campeonato (tirando o jogo frente ao Ching Fung).

A equipa de Henrique Nunes acabou por chegar ao golo depois de uma grande penalidade, cobrada por Edgar Teixeira, aos 12 minutos.

Começa a marcha do marcador.

Alison Brito ameaça depois com o segundo, mas envia a bola ao poste. O Sporting não passa do meio campo com a bola dominada e o placar voltou a funcionar depois de um canto batido por Edgar Teixeira e Vinicius, ao primeiro poste, faz o 2-0.

Quase 40 minutos de jogo e o Sporting sem avançar no campo. Batista era um mero espectador na partida.

Até ao intervalo, Vinicius assinou um hat-trick e Chan Man fez o 5-0.

Foi o mesmo Chan Man que, logo a abrir a segunda parte, disparou de fora da área para chegar à meia dúzia.

Continua a pressão do Benfica que chega aos 7-0 aos 54 minutos, por Alison Brito (finalmente) a conseguir o golo.

O cabo-verdiano marcou mais um, tento que fechou a contagem, já que, ainda antes disso, Pedro Pires fez um golo na própria baliza.

Termina a primeira volta com o Benfica na liderança do campeonato, tendo cedido apenas um empate e com muitas goleadas...


No outro jogo da noite, o Chao Pak Kei voltou a sofrer para arrancar os três pontos em jogo.

A jogar melhor, mas sem conseguir facturar (porque será?), o conjunto de negro acabou por ver o Ching Fung chegar ao golo aos 57 minutos por intermédio de Fabrício Lima.

Depois do golo, o Ching Fung a demonstrar pouca consistência para segurar o resultado e, por outro lado, o CPK a ter a paciência e perseverança para acreditar na reviravolta.

Faz diferença também, ter Diego Patriota, neste momento, a referência no ataque desta equipa, que em dois minutos fez os golos que viraram o jogo. O jovem Vinicius marcou o 3-1 aos 82 minutos.

Chao Pak Kei a passar pelo susto, outra vez, de se ver a perder num jogo que não poderia contar como derrota se as aspirações do conjunto passam, pelo menos, pelos primeiros três lugares da Liga de Elite.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Casos e mais casos...

(Foto: Bessa Almeida, Macau Bolinha e Bolão)

Por motivos profissionais, este espaço não apresentou qualquer apontamento acerca das últimas jornadas da Liga de Elite.

No entanto, continuo a acompanhar, e por se tratar de um espaço dedicado ao futebol de Macau, também, não posso deixar de escrever algo a respeito dos últimos acontecimentos.

Principalmente, a vergonhosa cena de pancadaria que se assistiu no final do jogo entre o Chao Pak Kei e a Polícia.

Dizer, primeiramente, que há factos que não estão sujeitos a muitas diferenças de opinião.
Faz-me lembrar um filme que vi recentemente, sobre factos verídicos, em que uma investigadora se recusava debater com quem quer que seja que negasse a existência do holocausto.

A violência que as imagens mostram não dão azo a discussão: é preciso que os jogadores da Polícia sejam punidos e o próprio clube repense a imagem e conduta que tem no futebol de Macau, porque não foi preciso chegarmos a isto para a condenação dirigida a esta equipa, que já existe há anos.

A Associação de Futebol de Macau tem de ser exemplar. Outra coisa não se admite.

Referir ainda o caso de Junior Soares do Sporting, utilizado de forma irregular no jogo com o Lai Chi, o que valeu a derrota dos leões na secretaria.

O que sabemos é que a utilização do jogador, sendo conhecida a sua participação no campeonato do segundo escalão em Hong Kong, foi notada e questionada por muitos.

A imprensa fez o seu trabalho e confirmou junto da Associação a irregularidade, o levantamento da respectiva investigação, e a denúncia feita pelo clube adversário que se sentiu prejudicado.

Cada um com o seu papel, sem vitimizações desnecessárias nem o levantamento de suspeitas de processos de intenção contra ou a favor de quem quer que seja.

E depois o caso do jogador do Ka I, Ao Ieong Tong, expulso no jogo frente ao Monte Carlo e utilizado na jornada seguinte frente ao Chao Pak Kei, situação referida no programa de rádio Bola ao Centro, da Rádio Macau.
Um erro da Associação, dizem (mais um), que terá sido sanado na jornada seguinte e, também, em virtude da vitória do adversário.

Casos e mais casos, depois da época ter começado muito mal, com a falha da Associação na inscrição na Taça AFC.

Repito: cada um faça seu trabalho. E bem, de preferência!


domingo, 5 de março de 2017

Os donos da bola



Jogo grande da jornada com a liderança da Liga de Elite em cima da mesa e um resultado que quase ninguém apostaria que poderia acontecer.

O Benfica vergou o até aí líder Monte Carlo por 6-0, e para quem acompanhou os 90 minutos, percebeu-se que foi na táctica montada que esteve a diferença: Henrique Nunes jogou para bater os canarinhos, e Claúdio Roberto apostou no cavalo errado para tentar manter-se no topo da classificação.

O jogo começou e cedo se percebeu que o Benfica vinha para não dar grande margem aos amarelos e azuis. E desde logo, o Monte Carlo mostrou a primeira fraqueza: Ho Man Fai. O guarda-redes local, dono da baliza canarinha e da selecção, fez muito daquilo que já nos habituou com saídas em falso e reposições de bola que deixam a equipa à mercê do adversário.

Não foi por isso de admirar que o Benfica pudesse ter feito os primeiros golos muito cedo, com perdidas de Nicholas Torrão e Leonel Fernandes.

O Monte Carlo queria sair a jogar com a bola no pé. Voltou a apostar em Anderson à frente de um eixo defensivo com três elementos, e foi o brasileiro a criar a primeira boa iniciativa, aos 10 minutos, mas a entrega de bola do lado direito do ataque encontrou o capitão benfiquista e Filipe Duarte anulou a jogada com um corte pela linha lateral.

Aos 22 minutos surge com naturalidade, o primeiro do Benfica: Chan Man cruza muito largo para encontrar Nicholas Torrão ao segundo poste e o goleador dos encarnados faz o 1-0 de cabeça sem qualquer oposição.
Um primeiro golo que reflecte precisamente aquilo que foi o esquema montado pelo técnico do Benfica: bola levantada para a área do Monte Carlo e os avançados encarnados a fazerem a pressão à defensiva canarinha.

A estratégia resultou em toda a linha.

Até à meia hora de jogo, só por duas vezes o Monte Carlo conseguiu importunar a baliza à guarda de Batista.
O 2-0 é de Edgar Teixeira e a receita foi a mesma: a bola vem de um lado ao outro do campo encontra a cabeça de Pang Chi Hang, sobra para Leonel (fez a assistência, o que é de sublinhar) que dá um toque subtil para o médio desferir um remate forte sem hipótese de defesa para Ho Man Fai.

Dois golos não era o fim do mundo para o até aí líder Monte Carlo, mas a liberdade de movimentos dos encarnados na grande área do adversário não fazia adivinhar que os canarinhos conseguissem travar o ataque à baliza, e Leonel Fernandes podia ter feito o 3-0 de seguida, num remate acrobático em que a bola sai ao lado.
Mas ainda antes do intervalo, o artilheiro da Liga de 2016 conseguiu fazer o golo, de cabeça, em resposta a um livre da direita cobrado por Edgar Teixeira. Novamente, uma saída em falso do guarda-redes do Monte Carlo a permitir o terceiro ao Benfica.

No segundo tempo, a toada manteve-se.
Nicholas Torrão volta a falhar na cara de Ho Man Fai, mas chegou o quarto golo, aos 54 minutos, que começa numa bola recuperada pelo médio Edgar Teixeira do lado direito que entrega a Chan Man e o lateral serve Meireles já a entrar na área em velocidade, cruzando para Leonel empurrar para o fundo das redes. O avançado encarnado completamente à vontade na área.

Era a confirmação de que o Benfica estava a colher os frutos da estratégia de Henrique Nunes.

Já o técnico do Monte Carlo, que deixou Leandro Tanaka de fora, para depois colocar o médio no lugar de Keverson.
Aos 4-0 e ainda com meia hora de jogo pela frente, Cláudio Roberto a tentar fazer pela vida, no entanto, até aí, tanto Keverson, como Neto, apareceram muitíssimo recuados no terreno, sinal de que o futebol normalmente praticado pelo Monte Carlo não estava a sair. De Neto então não se viu um único lance típico, simplesmente não conseguia chegar à baliza encarnada. O mesmo com Wilson Sadan, que até tem estado em evidência neste conjunto.
A linha defensiva terminou com quatro elementos, com Anderson a recuar, já que não foi possível ao Monte Carlo ter posse de bola e construir jogo de trás para a frente com a bola no pé, como parece ser a filosofia dos canarinhos.

Aos 69 minutos o Monte Carlo dispõe de um livre cobrado por Tanaka e defendido a dois tempos por Batista, com Filipe Duarte a sacudir o esférico pela linha lateral, mas o perigo andou longe da baliza encarnada.

Leonel Fernandes faz o golo da tarde aos 72, com trabalho de Alison Brito na área e Pang Chi Hang a cruzar para uma acrobacia do avançado madeirense que dessa vez concretizou em golo.

E depois já perto do final, Alison Brito em contra-ataque opta por assistir o recém-entrado Lee Keng Pan que fecha as contas em 6-0.

O Benfica é líder isolado da Liga de Elite, já tinha sido líder depois da primeira jornada mas ex aequo, e volta ao topo da classificação com uma vitória contundente sobre um adversário directo.

De sublinhar que o Benfica vinha de várias goleadas depois do empate com o Ching Fung, que não estava certamente nas contas de Henrique Nunes, e nesta jornada, surpreendentemente, continuou.

O domínio do Benfica não é novo, uma vez que o poderio do tri-campeão é evidente e indesmentível. Pelo nível do plantel que tem, pela qualidade e experiência do treinador e pela estrutura que já está montada há anos. Mas não se esperava, certamente, que um jogo contra um adversário directo terminasse com um placar destes.

Henrique Nunes pensou na estratégia certa para anular o adversário, enquanto o Monte Carlo pareceu querer jogar da mesma forma contra o Benfica como o faz com outras equipas, e foi mais evidente a diferença entre os dois conjuntos.

(Foto: Bessa Almeida, Macau Bolinha e Bolão)

sábado, 4 de março de 2017

Futebol mas pouco...


Jogo entre CPK e Kei Lun com um desfecho que não faz justiça ao que se passou durante os 90 minutos.
Mas, primeiro, é preciso dizê-lo: foi um jogo pobre este que se assistiu. Muitas faltas e pouco futebol de encher o olho.

Ainda assim, a nota positiva vai mesmo para o conjunto orientado por Josecler, que esteve a ganhar até faltarem 10 minutos para o fim do tempo regulamentar e acabou por entregar os três pontos a um CPK que, sinceramente, merece ser caso de estudo. E que esta vitória não tire a oportunidade para a reflexão sobre os erros cometidos, ou melhor dizendo, sobre a total desorganização que foi esta equipa hoje.

No Kei Lun, Adilson Silva de volta ao onze, esteve em evidência. A equipa estava por cima, com Denilson, Taylor e Diego Borges a pressionarem o último reduto do CPK, e foi a primeira a criar perigo num livre directo cobrado por Diego que obriga a uma defesa milagrosa de Domingos Chan a fazer a bola passar por cima da barra. Toda a gente viu menos a equipa de arbitragem que marcou pontapé de baliza...
Seguiu-se um lance em que o CPK podia ter marcado.

Mas já com Josinho em campo (com apenas 16 anos), rendeu Diego Chagas que saiu lesionado, o Kei Lun obrigou o guardião do CPK a duas defesas apertadas.
Aos 24 minutos, na sequência de um canto, Adilson Silva , ao primeiro poste, faz o 1-0 que vinha dar justiça ao trabalho da equipa do Kei Lun.

Até ao intervalo assistiu-se a um jogo demasiado quezilento, com muitas faltas e fitas, e a um CPK de cabeça perdida, quase. Uma equipa que não apresenta fio de jogo, desorganizada, até na confusão de posições que os jogadores assumem em campo. Prova disso, o desfecho da vitória!

Ronald jogou a central e Vitor Almeida, à partida, numa posição dianteira ao eixo defensivo, no entanto, o português aparece vezes sem conta na zona de finalização na grande área, ou mesmo nas alas a servir o ataque, ataque esse, hoje então, muito desprovido de um goleador (não deveria ser essa a prioridade na contratação depois da dispensa de Roni?).

É difícil perceber que futebol joga este CPK, e a equipa técnica deve reflectir nisso mesmo. Outro pormenor: quem possa reparar, nunca se sabe quem "manda" nesta equipa. Na área técnica destinada ao treinador, ora aparece Leung Kuai Sang, ora aparece Stephen Chow, anda por ali também Inácio Hui, Manuel Cunha... é preciso perceber quem manda na casa para colocar as peças em ordem.

Na segunda parte, nota para duas perdidas incríveis de Denilson que nos obrigam a usar o chavão: quem não marca, sofre.

E foi assim, já com Ronald, literalmente, a jogar a ponta-de-lança, que o CPK tem a felicidade de chegar ao 1-1, aos 80 minutos, num pontapé para a frente que vai parar à cabeça do central. O paraguaio até está acostumado a marcar e nestes desfechos, e é dele também o 2-1, a dar seguimento a um cruzamento de Bruno Figueiredo.
Ao terceiro golo já a equipa do Kei Lun estava vergada à infelicidade de um jogo que podia ter valido três preciosos pontos.

Sabemos que é gíria, mas o futebol é mesmo assim...